Roteiro para ciclistas promove reflexão em Belo Horizonte

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Segunda-feira, 2 Outubro, 2017

por: Ascom

Pedalar por Belo Horizonte visitando painéis artísticos instalados pela cidade. Essa é a proposta do projeto Pedalando pelos Muros

Foto: Raul Sampaio

A Praça Floriano Peixoto, no bairro Santa Efigência, é o ponto de encontro de ciclistas que participam do projeto uma vez por mês. Vai dando o horário e a praça vai ganhando movimento conduzido por ciclistas. Na grama, um piquenique com um café da manhã vegano é um convite para um estilo de vida mais saudável. Ali, dezenas de pessoas com suas bicicletas estão reunidas para dar início a um tour pela arte de rua de Belo Horizonte.
 
Após o café da manhã, os participantes vão pedalar por cerca de 14 quilômetros (pedaladas leves, devagar e sempre!), visitando 50 painéis espalhados pela cidade, produzidos por artistas locais, nacionais e internacionais. O roteiro proporciona reflexão sobre a mobilidade urbana, com destaque para a importância de ciclovias na capital mineira, e sobre leis de trânsito para ciclistas, como alternativa à utilização excessiva de automóveis.
 
Jornalista e idealizador do roteiro, Bernardo Biagioni explica que a ideia é compartilhar com os participantes informações sobre os artistas, as técnicas usadas, o ano da pintura, o significado da arte expressa nos muros. “A ideia desse roteiro partiu de duas paixões: a bicicleta e a arte urbana. Ao mesmo tempo, proporcionamos outro tipo de interação dos participantes com Belo Horizonte, sugerindo novos olhares para o espaço público e maneiras alternativas de viver a cidade”, comenta.
 
Para Marcos Barreto, diretor de Marketing e Promoção Turística da Belotur, projetos como esse revelam aspectos surpreendentes de Belo Horizonte. “De um lado, artistas que fazem dos muros da cidade seu espaço de expressão. De outro, pessoas que garimpam essas manifestações artísticas e não se contentam em guardar para si essas descobertas; resolvem compartilhar esses momentos de fruição com outras pessoas”.
 
Da Praça Floriano Peixoto, os ciclistas passam pela rua Niquelina, exploram ruas dos bairros Santa Efigênia, Serra e Funcionários, param para um almoço na região da Savassi e seguem para a Floresta, até chegarem à rua Sapucaí, cujo mirante dá vista para quatro imensos painéis recentemente pintados em laterais cegas de prédios do centro da cidade, que fazem parte do Circuito Urbano de Arte – CURA, segundo festival de arte urbana no Brasil criado há dois anos pelas amigas Ju Flores, Priscila Amoni e Jana Macruz.
 
O tamanho das imagens realmente impressiona. As quatro empenas (paredes externas) pintadas nos prédios têm até 50 metros de altura por 37 de largura, o que contribui para que sejam vistas de vários pontos da cidade. O CURA contou com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
 
Gentileza
Belo Horizonte está se tornando uma verdadeira exposição de arte a céu aberto. A Prefeitura instituiu o programa Gentileza, com coordenação da Fundação Municipal de Cultura. O objetivo é valorizar a arte nas mais variadas expressões, nos espaços públicos e privados, a partir da promoção, do fomento e do apoio às ações de valorização, requalificação e transformação do espaço urbano, por meio do fazer artístico e cultural.
 
A arte urbana é a âncora do programa, tendo a linguagem do grafite e a pintura mural como expressões, contemplando também outras formas de manifestações artísticas e culturais de rua, como a música, o teatro, o circo, a dança. O pontapé inicial se deu com o Primeiro Festival de Arte Urbana de Belo Horizonte, realizado em abril com foco nas novas práticas coletivas da cidade, fomentando a produção de artistas locais.
 
Dos 17 coletivos participantes, artistas como Crew’s ABAPURU FAVELA, PDF Crew, Geek'Serifados, Arrudas Atelier Urbano, Real Vandal Crew, Zero Trinta e Um, Real Grapixo Crew, Fábrica d'Sonhos, 8˚ Unidades Crew (Morro das Pedras), OsDuBeco (Pedreira Prado Lopes), Em Cores (Betim) e É nois Crew (Jardim Felicidade) estiveram presentes.
 
Pedala BH
Em Belo Horizonte, a bicicleta vem ganhando, cada vez mais, espaço nas ruas. Atualmente, a capital mineira possui cerca de 83 quilômetros de ciclovias e a previsão é alcançar 411 quilômetros até 2020.
 
Desde 2011, a Prefeitura, por meio da BHTrans, vem implementando ações de incentivo ao uso da bicicleta na capital. O projeto Pedala BH, por exemplo, prevê ainda implantação de paraciclos e bicicletários, que são equipamentos para estacionamento de bicicletas distribuídos pela cidade.
 
Além disso, a BHTrans, em parceria com ciclistas da capital, elaborou o Plano de Mobilidade por Bicicleta (PlanMob-BH) 2017/2020, que vem ao encontro da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que estabelece a prioridade dos modos não motorizados de transporte (ciclistas e pedestres) sobre os motorizados.
 
Atualmente, o percentual de viagens realizadas por bicicleta é de 0,4% do total de viagens por dia. Com o PlanMob-BH, que é composto por mais de 100 ações, a expectativa é que 6% de todos os deslocamentos da capital se deem por meio do uso da bicicleta.