Cidade e destino turístico inteligente: BH, no caminho certo

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Sexta-feira, 21 Setembro, 2018

por: Ascom

Seminário organizado pela Belotur, trouxe palestras, painéis e workshops para Belo Horizonte

Foto: Rodrigo Clemente/PBH

“Antes de ser um destino turístico inteligente, a cidade tem que ser sustentável, acessível, contar com serviços eficientes, ou seja, funcionar bem para seus moradores. E essa construção tem que ser coletiva, ouvindo as pessoas, envolvendo todas os setores da cadeia produtiva, com diálogo aberto e transparente com o poder público. Esses são os primeiros passos para um destino turístico inteligente, e Belo Horizonte está no caminho certo”. Com essas aspas, o presidente da Belotur, Aluizer Malab, resumiu o que foi discutido em dois dias de palestras, painéis e workshops que compuseram a programação do Seminário Cidades & Destinos Turísticos Inteligentes, que aconteceu nos dias 20 e 21 de setembro, com organização da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur.

“Somos uma cidade-meio, contamos com atrativos surpreendentes, um calendário cultural efervescente, nosso Carnaval é hoje considerado o segundo melhor do país, além de contarmos com localização geográfica privilegiada: estamos próximos de cidades históricas, do Inhotim, da natureza exuberante como a da Serra do Cipó, por exemplo. O trabalho agora é de aperfeiçoamento do que já temos, que já é surpreendente. Unindo as pontas para que cidadãos e turistas tenham sempre plena satisfação com as experiências que Belo Horizonte oferece”, afirmou Malab, durante o evento. O seminário, gratuito e inédito nesses moldes na capital mineira, contou com quase 500 participantes nos dois dias de trabalho.

A programação foi dividida entre palestras e painéis, na parte da manhã, e workshops à tarde. A primeira palestra foi ‘Como gerenciar cidades para a vida? Medellín, um projeto coletivo’, de Jorge Pérez Jaramillo, responsável pelo Plano de Ordenamento Territorial de Medellín (2014-2027), conhecido como o ‘milagre de Medellín’.
“O que eu creio que seja necessário em qualquer cidade da América Latina é construir lideranças, compartilhando com diversos setores da sociedade, determinando uma visão de longo prazo, trabalhando conjuntamente grandes propósitos como cidade. Bons debates políticos são necessários e convenientes, porém a classe política deve respeitar que existem padrões, políticas e projetos da cidade que são compartilhados entre todos os movimentos, que não dependem da conjuntura, que são estruturais e que devem ser planejados a longo prazo e com responsabilidade”, comentou Pérez.
Ainda na manhã do primeiro dia do seminário, o painel ‘Cidades Inteligentes’, com mediação de Stella Hiroki, consultora especializada na participação feminina para o desenvolvimento de cidades inteligentes, contou com a participação de Jorge Pérez Jaramillo; Thaís Nahas -  idealizadora do Lab de Inovação Urbana Florianópolis e consultora na Intelink -, e Bráulio Magalhães Fonseca, vice-chefe do Departamento de Cartografia da UFMG.

Na tarde de quinta-feira, Stella Hiroki ministrou um workshop que contou com seis grupos temáticos (Smart People, Smart Economy, Smart Governance, Smart Living, Smart Mobility e Smart Environment), cuja discussão foi permeada a partir de experiências e ideias para sobre como aplicar a tecnologia de forma mais consciente em seu cotidiano urbano.

“Na organização de uma cidade em Smart City, a tecnologia é uma ferramenta que auxilia o planejamento. O que acontece, é que muitas vezes a tecnologia é aplicada a partir de grandes plataformas criadas pelo convênio entre grandes empresas de tecnologia e os governos, ou seja, em um movimento de cima para baixo e isso pode gerar um extremo controle e vigilância do espaço urbano. A educação e o incentivo da área de Smart People dentro de uma Smart City é importante para tornar as cidades pólos de criatividade e empreendedorismo. Assim, quando a tecnologia é utilizada em equilíbrio em um movimento top down, mas também bottom up (de baixo para cima), a partir de cidadãos empoderados digitalmente, o objetivo de Cidade Inteligente é alcançado”, explica Hiroki.

O segundo dia de programação contou com a palestra de Frederico de Arteaga Vidiella, Diretor de Planejamento do Grupo Jose Cuervo, da cidade de Tequila, no México, que abordou o tema ‘Tequila, entre a inteligência tecnológica e não tecnológica’. Na sequência, aconteceu o painel ‘Destinos Turísticos Inteligentes’, com mediação da Danielle Fernandes Costa Machado, coordenadora do Curso de Turismo da UFMG e participação de Max Oliveira, Cofundador e CEO da MaxMilhas, Federico de Arteaga Vidiella, Germana Magalhães, do SEBRAE Nacional, e Rafael Sette Câmara, do 360 Meridianos.
 
Em tempo: o Seminário Cidades e Destinos Turísticos Inteligentes aconteceu no mês do Turismo, integrando a programação da Organização Mundial do Turismo, que lançou um calendário especial georreferenciando as diversas iniciativas de setembro. O Dia Mundial do Turismo é comemorado em 27 deste mês. Um homenagem a uma das mais importantes atividades econômicas da atualidade, pertencente ao setor terciário da economia. Essa data foi oficialmente estabelecida pela Organização Mundial do Turismo (OMT) no ano de 1980, logo após a implementação do seu estatuto.