Quem disse que objetos não têm vida?
Imagine uma pessoa tomando banho em uma banheira cheia de objetos de plástico, coloridos, na Serraria Souza Pinto. Ou então várias pessoas dançando empolgadamente com ventiladores enormes em meio a cadeiras voadoras. Imaginou? Para entender essas cenas inusitadas só mesmo indo ao Festival Internacional de Teatro de Objetos (FITO), que acontece anualmente em Belo Horizonte.
Pouco explorada no Brasil, a arte de criar peças teatrais a partir de objetos é uma cultura de países europeus, como a França, e faz parte do calendário cultural da capital mineira. Em todas as edições, o FITO trouxe diferentes artistas internacionais mesclando suas obras com a produção teatral brasileira. “É uma nova forma de fazer teatro, um trabalho de imaginação tanto dos atores quanto do público”, afirma Lina Rosa, idealizadora do evento.
Cidade que respira cultura incessantemente, BH foi a primeira capital a sediar o Festival em setembro de 2009, fazendo com que a Serraria Souza Pinto recebesse cerca 13 mil pessoas em apenas quatro dias de apresentações.
“O povo de BH gosta de novidades culturais, é próprio do belo-horizontino ser curioso e interessado por novas formas de arte”, afirma Cláudio Marcassa, organizador do FITO. “Quem nunca brincou, na infância, com brinquedos feitos a partir de objetos e muita imaginação?”, relembra entusiasmada a aposentada Ana Isaura.
Performances que não economizam criatividade
Um dos objetos apresentados em uma das edições do FITO foi a enorme estrutura montada para a apresentação de Automákina – Universo Deslizante do ator Luciano Wieser. “O objeto faz com que o público tire suas próprias interpretações de acordo com a sua própria realidade”, explica o ator.
Artistas de todo o Brasil tem Belo Horizonte como a capital de grandes espetáculos e de uma produção cultural efervescente. O ator Mário Ballete veio de Porto Alegre para fazer um curso no Grupo Giramundo e aprendeu a arte de criar bonecos. “Tudo o que sei de maquiagem, expressão e caracterização de bonecos aprendi aqui em Belo Horizonte, com Álvaro Apocalypse do Giramundo”, relembra emocionado.
Brasil a fora
Por ter sido um grande sucesso em Belo Horizonte o FITO se tornou um festival itinerante, que já percorreu as cidades de Porto Alegre (RS) e Manaus (AM), sempre com excelente receptividade do público. “O Teatro de Objetos é uma forma de metáfora crítica inteligente, que faz pensar, diverte, educa e sensibiliza a plateia”, acrescenta Lina.









