Cultura em cartaz em Belo Horizonte
Abram-se as cortinas, o espetáculo está no ar! A cada início de ano, Belo Horizonte respira arte e se transforma em um grande palco de teatro com a realização da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.
Durante dois meses, a população pode desfrutar de apresentações teatrais da mais alta qualidade e o melhor, pagando no máximo R$ 12. O principal objetivo da Campanha é atrair e formar mais amantes da arte de representar. “A ideia é que o projeto leve mais espectadores a um número maior de espetáculos, porque o público de Belo Horizonte gosta de teatro”, explica Rômulo Duque, presidente da entidade que organiza o projeto, o Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais – Sinparc.
Além de agradar o bolso, a Campanha também oferece espetáculos para todos os gostos. Comédia, drama, musical, contos, sátiras, balé, dança contemporânea, entre outros gêneros, fazem parte da programação. Tem espetáculo para criança, jovem e adulto, em diferentes horários e espaços.
Nesse período, a cultura invade os quatro cantos da cidade e Belo Horizonte se apresenta como palco de muitos espetáculos. Além dos espaços reservados para as encenações, público e atores têm a oportunidade de desfrutar de um momento de confraternização no bar oficial do projeto, o “Tô na Campanha”, que se torna o ponto de encontro.
Além disso, o belo-horizontino também pode apreciar a exposição gratuita “O Teatro em Cartaz”, que conta a história das Artes Cênicas. É possível, ainda, se deparar com um espetáculo em plena calçada, à luz do dia, com o “Teatro de Rua”, inteiramente grátis. Sem contar os carros que percorrem toda a cidade, funcionando como pontos-móveis de vendas de ingressos.
Público
O crítico Jaco Guinsburg costuma dizer que o espetáculo é formado por uma "tríade básica - atuante, texto e público", sem a qual o teatro não existiria. Se o público é tão fundamental, os números provam que, basta oferecer oportunidades para o mineiro se render à magia da arte. Em 1998, a Campanha atingiu um público de 58 mil pagantes. Em 2010, mais de 300 mil pessoas prestigiaram as apresentações – uma média de 34 mil expectadores por semana.
A publicitária Poliana Godinho foi uma das belo-horizontinas fisgadas por essa mágica que só o teatro pode proporcionar. Sem ter o costume de frequentar espetáculos, ela topou ingressar nessa experiência e, desde então, já prestigiou a Campanha por dois anos consecutivos. “Fui e ainda levei vários amigos, que também gostaram. Acredito que a Campanha funciona. O objetivo de reduzir o preço incentiva a cultura e leva as pessoas ao teatro”.
Encantados pela arte
O projeto também reforça uma característica peculiar da capital: a de ser referência cultural para todo o restante do Estado. A eletricitária Cristiane Costa ama tanto o teatro que, quando ainda morava em Divinópolis, sempre vinha à capital somente para assistir aos espetáculos. Tanta paixão só era freada pelo valor dos ingressos, que impedia que ela assistisse mais vezes às peças. “Mas, desde que a Campanha surgiu, assisto a uma média de 10 espetáculos todos os anos. Costumo repetir a ida àqueles de que mais gosto e ainda faço campanha para divulgá-los no trabalho e entre os amigos”.
Também para Cristiane o projeto cumpre seu objetivo. “Acho a Campanha espetacular. Realmente populariza a arte e faz com que todas as classes tenham acesso aos espetáculos. Não é raro ver pessoas bem simples sentadas ao lado de outras que chegam ao teatro com motorista particular. Essa é a maior graça da Campanha: unir várias classes e dar oportunidades para pessoas que, por falta de condições financeiras ou mesmo por certo preconceito, antes não tinham acesso aos espetáculos”.
Natural do Vale do Jequitinhonha, a analista de qualidade Gianne Prates também se rendeu ao fascínio do teatro vivenciado em BH todo início de ano. Desde que se mudou para a cidade, há quatro anos, tem feito da Campanha de Popularização do Teatro um programa garantido. “É uma ótima opção de diversão para as férias. Também contribui para a inclusão cultural. Para muitos, provavelmente a Campanha de Popularização é a única oportunidade para ir ao teatro”.
Bravo, bravíssimo!
Alexandre Toledo é produtor de um drama que estreou em 2011 no projeto: “Cuidado, Frágil”, da Cia da Farsa. Ele valoriza o caráter democrático da Campanha. “É o momento em que o público da cidade tem um interesse maior pelas peças em cartaz”.
Já Ernane Campos, que é ator da comédia “Meu tio é tia”, da Marco Produções Artísticas, outro sucesso de público na Campanha, acredita que o projeto vem impulsionar ainda mais o panorama artístico da cidade. “A gente quer esse público nas temporadas que fazemos o ano inteiro”, convida.
De BH para Minas
A Campanha de Popularização do Teatro e da Dança não se restringe a Belo Horizonte. Há 10 anos, o evento acontece em cidades do interior de Minas Gerais. Juiz de Fora –primeira a receber o festival-, Contagem, Sabará, Ipatinga, Nova Lima, Vespasiano e Go... Clique aqui para ler mais sobre.
De BH para Minas
A Campanha de Popularização do Teatro e da Dança não se restringe a Belo Horizonte. Há 10 anos, o evento acontece em cidades do interior de Minas Gerais. Juiz de Fora –primeira a receber o festival-, Contagem, Sabará, Ipatinga, Nova Lima, Vespasiano e Governador Valadares são ou já foram sedes de espetáculos do projeto. Ipatinga já sediou a campanha oito vezes; em Governador Valadares, a estreia aconteceu em 2011.
Outra iniciativa do projeto é a realização de espetáculos em áreas afastadas do centro da Capital. Um exemplo é que a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança dissemina a arte através do encanto da encenação também para a região do Barreiro.










