Glórias e Lágrimas Alviverdes
Verde Amor Americano
Quero fazer um comício sobre você para 110 milhões de brasileiros, quero dizer aos meus irmãos do Oiapoque ao Chuí que eu nunca vi amor assim como você, verde amor americano
Você que nunca morre.
Você que não finge de morto.
Você que não tem medo de ser você.
Você que não cede.
Você que vai seguindo, indiferente a tudo.
Assim o célebre poeta Roberto Drummond começou o poema em homenagem ao América Futebol Clube, um dos três grandes da capital mineira. O América possui o orgulho de ser o único vencedor por dez vezes seguidas do campeonato estadual, sendo o primeiro do Brasil a conquistar tal feito.
Amor quase centenário
Sem medo, sem ceder e seguindo indiferente a tudo, o dentista Fábio Melo Azevedo, nascido em 1920, construiu seu amor pelo Clube América de Minas Gerais ainda criança, sob a influência do pai. Jogou basquete pelo clube nas décadas de 30 e 40 e foi o primeiro atleta mineiro a jogar pela seleção brasileira de basquete. O dentista se lembra ainda de craques do decacampeonato, como os becks Tonico e Souza e o centroavante Satyro Taboada. Seu grande ídolo foi o lateral, Jacy que “era do Atlético e de família de atleticanos, mas era um brigador, um lutador, corria sempre e nunca deixava por menos”, recorda. O momento mais marcante do torcedor foi quando “o América ganhou por um placar de 6 a 5 sobre o Galo, no campo do Altético e meus primos jogavam pelo América. Isso em 1936”, relembra.
Uma história de Glórias
“A tua classe aristocrata é quem fulmina os teus rivais” diz um trecho do hino do América, mostrando a formação nobre do time. Fundado em 1912 com uniforme de cores verde e branco e, posteriormente, incorporando a cor negra em seus calções, o clube foi criado por garotos da elite mineira, quase todos estudantes do antigo Gymnasium Anglo-Mineiro, onde as aulas eram ministradas em inglês por professores norte-americanos em sua maioria. Para decidir o nome que dariam ao clube foi realizado um sorteio e entre os nomes, estava o de América Football Club, em homenagem aos Estados Unidos da América, país o qual os meninos eram grandes fãs, influenciados por seus educadores.
No ano seguinte de sua fundação, o América fundiu-se com o antigo Minas Geraes Futebol Clube fazendo com que seu elenco crescesse muito. Outra adesão importante foram os jogadores do Atlético Mineiro para o América, devido a problemas internos do rival.
América és o maior,
teu futebol é sensacional.
Com o espírito campeão cravado em seu hino, a primeira grande vitória americana foi contra o Atlético por 1 a 0, dando início ao clássico mais antigo de Minas Gerais, conhecido também como o “Clássico das Multidões”. Pouco depois em seu primeiro amistoso interestadual contra o Flamengo no antigo campo do Prado Mineiro, atual Aeródromo do Prado, a equipe alviverde venceu por 2 a 1 mostrando assim a força de seu futebol para todo o país.
O meu América
Tem na vitória
A sua tradição
O início de um grande período de glórias foi no final de 1915. Na ocasião, o América venceu a até então imbatível Equipe dos Ingleses da Mina do Morro Velho, formada exclusivamente por jogadores ingleses, por 3 a 0. No ano seguinte, armou uma poderosa equipe que conquistou o campeonato mineiro daquele ano e ainda os outros nove subsequentes até 1925. De tão extraordinário feito, o América mantém-se até hoje como única equipe deca-campeã estadual na história de Minas Gerais e uma das duas do país.
Com o advento do profissionalismo no futebol mineiro em 1933, o América, que não concordava com tal medida, em sinal de protesto, usou durante 10 anos um uniforme vermelho e branco, retomando em 1943 suas tradicionais cores alviverdes. Em 1971, foi usada pela primeira vez a atual camisa com listras verticais verdes e pretas, no amistoso contra o Nacional de Montevidéu, no Mineirão.
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EstádiosEm setembro de 1922, o clube inaugurou seu primeiro estádio, onde hoje se encontra o Mercado Municipal de BH. Em maio de 1948, com a construção do Mercado, o América muda de casa e constrói seu novo estádio, Otacílio Negrão de Lima e, de quebra, ainda ganha o campeonato estadual daquele ano. Na década de 60 foi necessário vendê-lo por problemas financeiros. Em 1989 o América acerta um grande contrato e arrenda o Estádio do Independência, o segundo maior da cidade e um dos palcos da Copa de 1950, tornando-se o primeiro clube de BH a possuir um estádio próprio.
Decadência
Lamentavelmente, na década de 60 um dirigente resolveu fechar o departamento juvenil do América em 1964 (reaberto no ano seguinte), perdendo para o Cruzeiro jogadores do quilate de Tostão, Hilton de Oliveira, Wanderley entre outros que ajudaram o clube rival a montar uma das mais brilhantes equipes do futebol brasileiro.
Nessa época o América experimentou sua pior fase, perdendo a condição de ser um dos dois grandes do Estado, sendo superado em número de adeptos pelo Cruzeiro. Por 14 anos, a equipe alviverde ficou sem conseguir nenhum título de importância, voltando a conquistar outro campeonato apenas em 1971. Apesar de apresentar boas campanhas nas primeiras edições do campeonato brasileiro no início da década de 1970, o clube não conseguiu deslanchar e por dificuldades financeiras vendeu parte do patrimônio, inclusive o estádio. Passou por uma crise também de identidade, chegando a mudar-se provisoriamente para a cidade vizinha Contagem e passou mais 22 sofridos anos sem grandes conquistas.
Renascimento
Você que ninguém obriga a ficar de joelhos.
Você que ninguém manda abaixar a cabeça.
Você que não abaixa os olhos.
Você que segue olhando de frente.
Você que cresce a cada manhã.
Você que nunca diminui de tamanho.
Você que não tenta estrangular você mesmo.
Você que não tenta matar você mesmo.
Verde amor americano.
Assim o poeta Roberto Drummond segue com o poema em homenagem ao alviverde de BH. Apesar de todas as dificuldades, o clube não abaixou os olhos, seguiu em frente, crescendo a cada manhã e não diminuindo de tamanho. O verde amor americano persistiu frente aos problemas.
Entre o final dos anos 80 e início dos 90, aconteceu o renascimento do clube, com forte retomada das categorias de base, que, historicamente, sempre fora o diferencial do América. Além das contratações de bons jogadores, o clube ganhou força com a conquista do Campeonato Mineiro de 1993, após 22 anos de espera. Em 1997, o clube retornou à primeira divisão do Campeonato Brasileiro após ganhar o título da Série B. Isso aconteceu após o América considerar-se injustiçado por um regulamento da primeira divisão do campeonato nacional em que foi rebaixado, mesmo terminando a competição na 14ª posição entre os 32 times. Após isso, o Coelho entrou na justiça comum contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e recebeu como punição o afastamento de três temporadas dos campeonatos nacionais.
Após o título da Série B, o América retornou à divisão de elite do futebol nacional onde permaneceu por alguns anos, mas caiu novamente e chegou a disputar a Série C do Campeonato Brasileiro, onde permaneceu por dois anos. Apesar de tudo, o Coelho seguiu em frente e conquistou o título da Copa Sul Minas de 2000 e o Campeonato Mineiro de 2001 além de alguns títulos nas categorias de base.
Com vocação natural para a formação de grandes craques da história do futebol nacional e mundial, o América formou ao longo de sua longa história jogadores do quilate de Tostão, campeão na Copa do Mundo de 1970, Éder Aleixo, Palhinha, Euller, Gilberto Silva, Evanilson, Fred, todos com passagem pela Seleção Brasileira, Jair Bala, ídolo maior de sua história, entre muitos outros.
A alma do americano pode-se traduzir com esse trecho do hino não oficial do América composto pelos grandes nomes da música de Minas, Fernando Brant e Tavinho Moura que assim definiram-na:
Na grama verde a vida sonha
A bola branca, beija a rede da paixão
Quem americano é, sabe o caminho
E grita É gol, É gol, É gol
Para sempre vou viver cantando
Deus salve o América, Decacampeão
Deus salve o América, Nosso campeão
Hoje o América segue em busca de títulos para retomar seu lugar no panteão dos grandes clubes do futebol mundial e assim honrar a história de glórias do eterno e único decampeão de Minas Gerais.









