Um bairro onde as janelas simbolizavam poder
Belo Horizonte, final do século 19. As obras da nova capital de Minas Gerais já duram dois anos e estão em ritmo acelerado. Engenheiros e outros membros da comissão responsáveis pela construção começam a dar forma ao município planejado. O movimento na cidade cresce.
Mas uma dúvida surge: onde irão morar os funcionários públicos que vão chegar de Ouro Preto, antiga sede do Governo Estadual, para trabalhar nos gabinetes e autarquias? A fim de resolver a questão, fica então decidido: a nova capital terá uma área específica para abrigar os servidores, cujos principais locais de trabalho ficam ali bem perto, na Praça da Liberdade. Surge, assim, em 1896, o bairro Funcionários, com cerca de 200 residências construídas em lotes sorteados um ano antes.
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Curiosidades sobre o bairro Funcionários
- O bairro Funcionários se destaca pela arborização. O bairro é repleto de canteiros e quarteirões fechados e, em algumas ruas, as árvores ficam na via, como acontece na Gonçalves Dias.
- As vias receberam nomes de estados brasileiros e figuras célebres da literatura, política e histórica do Brasil, como Tomé de Souza, Gonçalves Dias e Antônio de Albuquerque. (foto: rua Pernambuco no início do século 20-Arquivo Público Mineiro)
No bairro, as casas receberam uma classificação, com uma escala que ia de A a F, que deixava claro o nível hierárquico de cada servidor. Os imóveis de letra A foram destinados a funcionários de baixa graduação. Nas casas F, moravam diretores e desembargadores. O número de janelas acompanhava a mesma filosofia: quanto mais janelas na fachada, maior o status do servidor que ali residia.
Para facilitar a locomoção desses moradores, em 1902, a primeira linha de bonde de BH circulava pelo Funcionários e abrangia também o centro da cidade e a antiga região de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Nas décadas de 20 e 30, o destaque foram as construções no estilo Art Nouveau, com formas irregulares, curvilíneas, delicadas, inspiradas em folhagens e flores. Nos anos 40, as casas neocoloniais, com suas colunas imponentes, chegaram ao bairro. Nessa década, a fama da padaria Savassi cresceu e, com ela, o Funcionários testemunhou o crescimento do comércio e a intensificação do desenvolvimento econômico na capital.
A partir da década de 80, os antigos casarões passaram a dar lugar a edifícios residenciais. Atualmente, passados mais de um século de fundação, restam poucas daquelas casas com janelas virtuosas que presenciaram o nascimento de Belo Horizonte. Mas o bairro Funcionários, onde morou a elite do poder público mineiro, continua sendo sinônimo de requinte. Prova disso é que a região possui, ainda hoje, um dos metros quadrados mais caros de Belo Horizonte.
Dados demográficos
- Área: 194.33 hectares
- População: 18.157 (sendo quase 11 mil mulheres)
- 1.630 domicílios possuem renda superior a 20 salários
- Número de estabelecimentos comerciais: 1.800
- Bairros vizinhos: Serra, Lourdes, Santa Efigênia, São Lucas, Cruzeiro, Sion, Mangabeiras.
- Vias importantes: Avenidas do Contorno, Cristóvão Colombo, Getúlio Vargas e Afonso Pena.
Funcionários x Savassi
Por cerca de meio século, a Savassi correspondia a apenas uma região, assim denominada extraoficialmente, dentro do bairro Funcionários.
Em 1990, um projeto de lei, autoria do vereador José Lincoln Magalhães, foi aprovado pela Câmara, cria... Clique aqui para ler mais sobre.
Funcionários x Savassi
Por cerca de meio século, a Savassi correspondia a apenas uma região, assim denominada extraoficialmente, dentro do bairro Funcionários.
Em 1990, um projeto de lei, autoria do vereador José Lincoln Magalhães, foi aprovado pela Câmara, criando oficialmente a região da Savassi, que abrangia a seguinte área: início na Praça Tiradentes, seguindo até a Praça da Liberdade; parte alta da Rua da Bahia, Avenida do Contorno até a Praça Milton Campos, terminando novamente na Praça Tiradentes.
Nos anos 2000, a área foi desmembrada do Funcionários e a prefeitura de Belo Horizonte criou o bairro Savassi.











