Santa Tereza, o bairro mais boêmio de BH

Pça Santa Tereza - Foto: Jose Carlos Alexandre
Pça Santa Tereza - Foto: Jose Carlos Alexandre
Em Belo Horizonte, é comum encontrar lugares onde o antigo e o atual se misturam. Em alguns bairros, a nostalgia se apresenta nas ruas e construções. É o caso do bairro Santa Tereza, que recebeu esse nome, em 1928, numa homenagem à igreja que fica na praça Duque de Caxias.

Santa Tereza ganhou fama de ser um dos mais tradicionais redutos boêmios da cidade graças às casas de serestas e bares. Pessoas ligadas à arte costumavam se encontrar para confraternizar, compor música, dançar e cantar durante as madrugadas. Desses encontros nasceram movimentos musicais e bandas famosas, como o Clube da Esquina, o Skank e o Sepultura.

Além da seresta, o carnaval também já foi um dos grandes atrativos do bairro. O desfile do bloco carnavalesco Banda Santa era realizado sempre uma semana antes do carnaval e arrastava multidões pelas ruas do bairro.  A escola de samba Unidos de Santa Tereza também desfilava pelas ruas do bairro e foi campeã do carnaval, em 1991. As duas eram formadas por moradores do bairro.

Atualmente, quem conhece a região do Santa Tereza sabe que, depois da balada, uma boa opção é passar no boteco mais premiado como Fim de Noite de Belo Horizonte, o Bar do Bolão. O estabelecimento funciona durante 24 horas e se tornou famoso por servir Espaguete à Bolonhesa e Rochedão, um prato simples, composto de arroz, feijão, batata, bife e ovo.  

Para os amantes da pizza, a alternativa é a Parada do Cardoso, aberto de segunda a segunda, sempre a partir das 18 horas. A pizzaria foi inaugurada, em 1997, em homenagem a uma pequena parada de trem que se chamava Estação Parada do Cardoso. Nos anos 60, os passageiros desembarcavam nessa estação cujo nome homenageia um maquinista muito querido pelos usuários da locomotiva.  A estação não existe mais, entretanto, quem frequenta a pizzaria pode ouvir o barulho dos trens de carga passando nos trilhos, que ficam a poucos metros dali. 

Muitas histórias para contar

O cantor e compositor Telo Borges, que viveu muitos anos no bairro, revela que, “em todas aquelas esquinas, há muita história para se contar”. Histórias como a do Clube da Esquina, um dos maiores movimentos musicais da MPB, que começou no Santa Tereza. Reunidos no cruzamento das ruas Divinópolis com Paraisópolis, os cantores Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Fernando Brant, Marilton, entre outros, fizeram história com composições que fazem sucesso até hoje.

A Praça Duque de Caxias, a mais famosa do bairro, é um dos pontos mais visitados do Santa Tereza por ser um ambiente agradável, com muito verde e sombras generosas para quem deseja descansar. O lugar atrai pessoas de todas as idades e é muito familiar. Rodeada de bares e restaurantes, se tornou um local interessante também para a realização de shows e manifestações culturais.

Viaduto de Santa Tereza - Foto: Br Olhares
Viaduto de Santa Tereza - Foto: Br Olhares

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Curiosidades

O encontro das ruas Quimberlita, Tenente Freitas, Bocaiúva e Bom Despacho, é conhecido como Alto dos Piolhos. Segundo o livro “Caminhos de Santa Tereza”, de Luiz Góes, o local recebeu esse nome por estar no alto. E piolhos, porque, nos anos 60, vários hippies com cabelos grandes viviam por lá. Hoje, é um dos locais com maior concentração de bares do bairro, como Bocaiúva, Carapuça, Confraria do Velho Chico e Bar do Pedro, além do Recanto do Aristóteles e do Ice Dream Sorvetes & Sanduíches.


Outros nomes do bairro

A região, anteriormente ocupada por imigrantes, na maioria italianos, já recebeu outros nomes, como Colônia Américo Werneck, Bairro da Imigração, Alto do Matadouro, Bairro do Quartel e Fundos da Floresta.

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