Turma do Mercado

Amigos, cerveja e Mercado Central. Essa é a receita de uma turma para o último sábado de cada mês.

Amigos, cerveja e Mercado Central. Essa é a receita de uma turma para o último sábado de cada mês
Amigos, cerveja e Mercado Central. Essa é a receita de uma turma para o último sábado de cada mês
No mercado de todas as cores, sabores, cheiros, idiomas e épocas há um espaço destinado a turmas que fazem dali um ponto de encontro. Alguns encontros com frequência mensal, já outros são realizados anualmente. Um dos mais tradicionais mantém o costume há mais de 10 anos. É a Turma do Mercado.

As reuniões nos bares do Mercado Central começaram despretensiosas. No início, não passava de um grupo formado por quatro amigos publicitários que se encontravam para beber cerveja e degustar uns petiscos. Em pouco tempo, o grupo ganhou mais adeptos e a cervejada tinha dia marcado: sempre no último sábado do mês. Com a exceção do mês de dezembro, quando a turma se transforma na Turma Fantasiada, em que cada integrante escolhe uma fantasia para o encontro. “No começo, a gente achou que essa ideia de ir fantasiado não ia pegar, mas todo mundo aderiu e fez muito sucesso. Agora, todos os anos, algumas pessoas visitam o Mercado só pra nos ver”, revela um dos fundadores do grupo, Rodrigo Cardoso. De acordo com os participantes, o traje não pode ser alugado, deve ser feito pelo próprio integrante e só vale vestir roupa de mulher se for para representar algum personagem.

As regras gerais do grupo, atualmente com cerca de 20 participantes, são simples. A principal delas conta com exclusão sumária da presença de esposas, noivas e namoradas nos encontros. “Esse é um momento só nosso e nossas mulheres sabem exatamente onde estamos. Algumas até lembram o marido que aquele sábado é dia de ir para o Mercado. Elas entendem”, defende o analista de comunicação.

Mas quem passar por lá vai ver que para essa regra existe uma exceção. É a Dona Sônia, mãe de Tiago Mamedes – um dos membros da turma. “Minha mãe é meio que madrinha do pessoal e sempre traz um tira-gosto. Todos aqui a adoram e, por issomesmo, ela é a única que pode participar”, explica.

A forma de consumo de bebidas também já foi definida entre os participantes. Todo mês, duas pessoas pagam uma grade de cerveja. Cada integrante que chegar, independente do horário, deve respeitar o CDV (Chegou Deixa Vinte), uma sigla que representa o quanto é preciso pagar. Nesse caso, vinte reais. Só fica livre desse compromisso o campeão da Turma Fantasiada, que não paga a conta no encontro do mês seguinte. Mas depois ele volta a pagar normalmente.

 

O motorista da rodada

Como todos os amigos se encontram para beber cerveja, não existe um “motorista da rodada”, aquele que fica sem consumir bebida alcoólica para levar os outros para casa. Por isso, as idas mensais ao Mercado Central são feitas por meio de transporte público ou, em alguns casos, é a própria esposa que deixa o marido no encontro. Para eles, o importante é a diversão, nada de se arriscar no trânsito.

Para conhecer a Turma basta estar no Mercado Central no último sábado do mês, a partir das 13h. O encontro só termina quando o Bar do Zé Maria fecha. “A gente percebe que está na hora de ir embora quando os nossos pés estão molhados. É o boteco já sendo lavado”, brinca Rodrigo. E quem pensa que depois disso eles vão para casa está enganado. O grupo ainda vai para o “Quarteirão do Soul” ou para o Bar do Nonô tomar um caldo de mocotó para aliviar a bebedeira antes de chegar em casa.  

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Conheça a outra turma

Se você passar pelo Mercado Central no sábado antes do Natal não vai encontrar apenas vários homens fantasiados com um copo de cerveja na mão. Todos os anos, nesse mesmo dia, outro grupo também se reúne para engrossar o caldo da diversão.  São as camisetas iguais que identificam esses homens. “Todo ano a gente elabora uma camisa para celebrar o final do ano aqui no Mercado” explica um dos fundadores do grupo, Roberto Luiz Alves. O Encontro Anual do Mercado, iniciado em 1997, conta com o “motorista da rodada”. Na mão de Lindomar Oliveira, apenas um refrigerante. “Alguém tem que levar essa galera pra casa e, neste ano, sobrou pra mim”, revela.

 

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