O “cavaquinho de ouro” de Minas
Era noite de festa quando um grupo de músicos se preparava para tocar em Brasília. Entre eles, um tocador de cavaquinho se destacava. Seu nome era Waldir Silva e tinha 30 anos, na época. O músico, também operador de telégrafo, já sabia qual canção iria melodiar em seu instrumento. Não era uma música comum, as notas não eram apenas acordes. Sem cantar uma palavra sequer, ele enviou uma mensagem que ia além do som agradável. Todos gostaram, mas o aniversariante foi tocado de forma especial. Enquanto todos ouviam uma bela serenata, o homenageado decifrava o código morse (alfabeto telegráfico que representa as letras por pontos e traços) contido na composição. Gentilmente pediu o cavaquinho emprestado e, usando apenas uma corda, retornou o recado “Um abraço, JK”. Era Juscelino kubitschek, o então presidente do Brasil.
A canção “Telegrama Musical” foi responsável por promover Waldir Silva no cenário da música brasileira. Nascido em 28 de maio de 1931, o mineiro de Bom Despacho ganhou o primeiro cavaquinho aos 7 anos, quando morava em Pitangui-MG. De lá pra cá, não largou mais a pequena viola. Mesmo sem saber tocar, começou a acompanhar algumas serestas na cidade. “Eu era muito empolgado para tocar nas festas. Às vezes, o pessoal nem avisava quando tinha algum evento, mas eu escutava de longe as músicas, pegava o cavaquinho e ia mesmo sem ser convidado”, relembra entre gargalhadas. As primeiras notas e os acordes básicos, ele aprendeu com um professor, chamado José Patesco. Aos 16 anos,fez concurso público e se tornou telegrafista pela Rede Mineira de Viação. O adolescente crescia e com ele o sonho de ser um músico do cavaquinho. Em 1948, pediu à empresa que trabalhava para ser transferido para a capital mineira.
Belo Horizonte e a carreira musical
A vontade de morar em Belo Horizonte foi motivada pelo campo musical que a cidade oferecia na época. “BH me recebeu de braços abertos. Quem vem pra cá, costuma não voltar mais, porque o clima é bom, o povo é maravilhoso, a nossa comidinha é igual lá do interior e o pãozinho de queijo... Hum! Bom demais!”, elogia. Assim que chegou, Waldir tratou logo de arrumar dois professores para aprimorar o talento. Pouco tempo depois, foi convidado pelo músico Elias Salomé para fazer parte do Conjunto Regional na Rádio Inconfidência.
veja mais
A carreira do "cavaquinho de ouro"Em Compact Disc- CD:
50 anos de Waldir Silva
Cavaquinho para Todos
Boleros de Ouro
Boleros de Ouro - Vol. II
Tangos e Boleros
Os Sucessos
Os Grandes Sucessos de Waldir Silva
Novos Boleros de Ouro
Isto é Seresta
Valsa dos Namorados
Clássicos em Ritmo de Bolero
Os Mais Belos Tangos e Boleros
Em disco de vinil, LP (longplay), compactos simples e duplos:
Cavaquinho sobre a cidade (1963)
Um Cavaquinho diferente (1965)
Telegrama Musical (1966)
Saudade presente (1967)
Saudade presente - Vol. II (1969)
Cavaquinho Camarada - Vol. III (1981)
O Melhor do Choro (1983)
Cavaquinho para todos (1986)
Valsa dos Namorados e Outras Valsas (1988)
Feitiço da vila (1971)
Waldir Silva com Conjunto Regional (1973)
Cavaquinho Camarada (1977)
Cavaquinho Camarada - Vol. II (1978)
Boleros de Ouro (1994)
Os Grandes Sucessos (1995)
Boleros de Ouro - Vol. II (1996)
Os discos de Waldir Silva são vendidos nos 5 continentes
Os discos de Waldir Silva são vendidos nos cinco continentes, inclusive através da internet, por meio das empresas CD NOW Corporation, com sede nos Estados Unidos, responsável pela vendagem nas três Américas, África e Oceania; Boulevard Co., com sede na Europa, vendagem na Europa, Oceania e Ásia; Frontstage Store, com sede na Bélgica, vendagem em todo o mundo; CD World Artistic Vision, com sede nos Estados Unidos.
Nos anos 50, não havia muitas TVs no Brasil, por isso, as atrações se concentravam nos auditórios de rádio. Além de novelas, orquestras e show de calouros, os artistas se apresentavam acompanhados pelos Conjuntos Regionais. Como integrante desse grupo, Waldir acompanhou muitos nomes famosos como: Nelson Gonçalves, Emilinha Borba, Celestino Silva, Isaurinha Garcia, Dorival Caymi, Celestino da Silva, Luiz Gonzaga, entre outros.
Em meados de 1955 e 1958, o cavaquinho foi destacado,em todo o Brasil,nas mãos de Waldir Azevedo. Ele é considerado o principal responsável por compor músicas usando o cavaquinho como solo. “Meu xará trouxe o cavaquinho da cozinha para a sala. Fez com que todos conhecessem o instrumento. Nós, músicos do cavaquinho, devemos muito ao que ele fez”, destaca Waldir Silva.
Não demorou muito, o mineiro também gravou seu primeiro disco, “Telegrama Musical”. Foi o primeiro passo para a carreira que já ultrapassa os 60 anos. Em todo esse tempo, foram gravados 33 discos, dos quais foram vendidos mais de 6 milhões de cópias no Brasil e no exterior. Pelo intérprete do cavaquinho,foram gravadas canções de Noel Rosa, Zequinha de Abreu, Ernesto Nazaré, Cartola e muitos outros artistas do samba e do choro. “O choro sempre foi minha raiz. Em bailes, com o nosso conjunto atual, chego a tocar de tudo um pouco e, nos últimos 10 anos, tenho produzido mais bolero e tango, mas minha linha musical principal é o choro”, relata.
Em 2000, quando foi comemorado os 500 anos de descobrimento do Brasil, Waldir foi convidado para representar o país numa comitiva oficial. Foram várias apresentações na Europa, principalmente em Portugal e na Espanha. “A recepção deles foi muito positiva, tocamos em bibliotecas, prefeituras, fóruns e todos gostaram muito da nossa música”, garante o arranjador. O circuito de comemorações incluiu também algumas cidades do sul do Brasil e Argentina.
E depois de passar por cidades como Punta del Este e Buenos Aires, Waldir foi aconselhado a interpretar também boleros e tangos. A ideia deu tão certo que os últimos 6 CDs produzidos têm nesse estilo. Em 2010, o álbum de título “Os mais belos Tangos e Boleros”, contou com canções como Sombras Nada Mas, Jurame, El Choclo, I Cant, Stop Loving You e Nostalgias.
Atualmente, Waldir se apresenta junto ao Conjunto Musical em que o irmão e empresário, Mauro Silva, é vocalista. O Conjunto participa dos Projetos Minas ao Luar e Minas em Serenata, com apresentações em mais de cem cidades do Estado de Minas Gerais, realizadas quinzenalmente. A duração do espetáculo é de quatro horas e são apresentadas músicas de todas as épocas. Todas as cidades visitadas ganham de presente uma canção seresteira,composta por Waldir Silva e Mauro Silva, que retrata os aspectos culturais, históricos e artísticos de cada cidade. Os prefeitos recebem, durante o espetáculo, uma cópia emoldurada da letra para exposição nas prefeituras e uma gravação da música.
Prêmios e Homenagens
- Compôs parte da trilha sonora da novela Pecado Capital (1975), da Rede Globo de Televisão.
- Foi indicado para o Prêmio Sharp de Música Popular Brasileira (1996).
- Disco de Ouro da Gravadora Movieplay, com o CD "Tangos e Boleros" (2000).
- Título de Cidadão Honorário pelos relevantes serviços prestados a Belo Horizonte (1985).
- Honra ao Mérito, concedido pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, em reconhecimento pela relevante atuação em favor do interesse coletivo (2004).
- Medalha Juscelino kubitschek outorgada pelo Governo de Minas, em Diamantina-MG (2009).
Ouça algumas músicas de Waldir Silva










