Mister Bus, qual ônibus eu pego?

Com simpatia e muito bom humor, Mister Bus ou Ricardo Teixeira faz questão de informar tudo sobre horários e itinerários dos ônibus da grande BH

Mister Bus
Mister Bus
Não se assuste se, ao passar pelas ruas de Belo Horizonte, encontrar um rapaz sorridente carregando nada mais nada menos que um ônibus na cabeça. Isso mesmo: um ônibus na cabeça. De brinquedo, claro. Não se trata apenas de usar o enfeite, ele entende mesmo de lotações, ou melhor, de transporte coletivo. A maioria dos itinerários que corta a região metropolitana de Belo Horizonte está gravada na mente desse busólogo (pessoa que tem como hobbie estudar sobre ônibus). É por causa disso que Ricardo Teixeira se tornou uma fonte de consulta para quem precisa de informações sobre o assunto.

A boa memória e o bom humor lhe renderam até um emprego na BHtrans, setor responsável pelo transporte público na capital mineira. Tudo começou com um pequeno guia, criado por ele, para orientar os usuários da região do Barreiro. Ele mesmo produzia os folhetos e os vendia nos pontos de ônibus. Em pouco tempo, ele agregou todas as rotas de ônibus da Grande BH e, atualmente, o guia pode ser encontrando em qualquer banca de revista. “Investi na confecção de um folheto informativo quando houve uma mudança no sistema de transporte coletivo, em toda a Região Metropolitana de BH. As pessoas estavam carentes de informações. Além de pesquisar, eu também embarcava nos ônibus para aprender mais sobre os trajetos”, explica.

Foi devido a essas pesquisas e idas constantes à BHtrans que Ricardo foi chamado para trabalhar na Gerência de Educação do órgão, acompanhando as equipes em palestras e mobilizações sobre o comportamento seguro no trânsito, entre elas “Se beber, não dirija”, “Use o cinto de segurança, inclusive no banco de trás”, “Não use celular” e “Respeite as pessoas e a sinalização”.

A paixão pela corrida deu forma ao personagem

Antes de se tornar uma figura conhecida em toda a capital mineira – e até fora dela – devido a sua indumentária incomum,  esse belo-horizontino sustentava outra paixão, o atletismo. Foi a partir do esporte que ele se tornou conhecido como o Mister Bus. “Em 1999, resolvi criar um personagem para disputar uma corrida, comprei um ônibus numa loja de 1,99 e decidi que o nome seria Mister Bus, inspirado no famoso mágico e ilusionista Mister M., que fazia muito sucesso na TV, na época”, lembra o atleta. O ônibus seria apenas um chapéu adaptado se o personagem não tivesse feito tanto sucesso. Depois disso, Ricardo não saiu mais de casa sem o adorno. “Agora não tem jeito mais, sempre saio com ônibus na cabeça. E ainda levo vários deles pequenininhos, porque a criançada sempre mexe comigo na rua e eu dou de presente”, conta.

Em todas as corridas que participa, o chapéu ousado chama a atenção. Um recurso que jamais pensou em usar quando iniciou a carreira. Ainda garoto, aos 15 anos, ele percebeu que trilharia um longo caminho com o esporte. Dois anos depois participou da primeira corrida e conta, em meio à gargalhadas, de sua inexperiência “o trecho era da Praça do Papa até o Mineirinho, 21 quilômetros ao todo, eu estava com sapato inadequado e, no meio do caminho, parei para tomar refrigerante e comer bolo”, conta.

Já se passaram 28 anos desde a estreia inusitada e Ricardo perdeu a conta de quantas corridas já participou.

Em casa, acumula medalhas e troféus das mais diversas provas. E, mesmo aos 45 anos de idade, mantém a média de 30 competições por ano. Entre as mais marcantes estão a corrida realizada em 1989, em Blumenau, quando ficou em 5º lugar, e a Maratona do Rio de Janeiro, em 1993, quando o atleta voltou para casa com o troféu de 3º lugar na categoria por idade. “Já participei das principais provas organizadas no Brasil. Quando comecei na corrida de São Silvestre, em São Paulo, a prova ainda era realizada à noite. Hoje já não corro mais para competir, faço isso mais pela saúde e qualidade de vida” afirma. E ele acredita que a corrida tem sido um esporte cada vez mais praticado pelos belo-horizontinos. Segundo o atleta, antigamente era difícil reunir 200 pessoas para realizar uma prova na cidade. Hoje, a Volta da Pampulha, por exemplo, conta com quase 15 mil participantes.

Solteiro e sem filhos, Mister Bus gosta de aproveitar a vida em todas as suas possibilidades. Está sempre com um sorriso no rosto e pronto para servir. Prova disso está no site dele, pois deixa à disposição o número do próprio celular caso alguém precise de informação. É filho único e adotivo. Conheceu a mãe biológica em 2008. Agora se orgulha em dizer que possui duas famílias. Mesmo nascido em João Monlevade, a pouco mais de 100 quilômetros da capital mineira, considera Belo Horizonte a terra querida. “BH é bom por causa do clima, das pessoas, da hospitalidade. Gosto muito da área central. Belo Horizonte não tem mar, mas tem a Pampulha, o Parque Municipal, o Parque das Mangabeiras, a Praça Sete, tem os eventos culturais do dia a dia, tem a Feira da Afonso Pena. E não é só uma cidade cultural, mas também uma cidade de negócios. Nós temos ótimos lugares para esse tipo de evento, como o Expominas e Minascentro”, elogia.

Acostumado a se relacionar com pessoas de todas as partes do mundo para competir as principais provas da capital mineira, ele deixa dica para todos os turistas “pode vir pra cá que será bem recebido. E, se precisar de informação, é só falar com Mister Bus”. 

 

www.misterbus.com.br

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