A Fabulosa arte de Junia Melillo

Junia Melillo durante o processo de criação (Foto: Pedro Miranda)
Junia Melillo durante o processo de criação (Foto: Pedro Miranda)
Jeitinho terno, voz elegante, rosto delicado. Quem olha para Junia Melillo nem imagina que, por trás da figura meiga, se esconde uma artista plástica ávida pela criação, um verdadeiro turbilhão de ideias. A belo-horizontina é formada pela Escola de Belas Artes da UFMG e ganhou fama pela ligação com o universo do teatro de bonecos. Mas a arte dessa moradora do bairro Santa Tereza está longe de pertencer a apenas um gênero. “Gosto de enfrentar desafios. Por meio deles, é que podemos nos aprofundar em determinadas técnicas, aprender a lidar com materiais novos”, justifica.

Junia Melillo adora inventar, experimentar, ousar. Quando tinha tudo para consolidar a carreira de pianista, após doze anos de estudo, decidiu ouvir a voz do coração e seguir a vocação pelas Artes Plásticas. Na faculdade, quando a habilitação em Desenho era o caminho mais natural para quem rabiscava desde os dois anos de idade, preferiu os desafios das máquinas e materiais inovadores, comuns na Escultura. E, quando se apaixonou pela Escultura Cinética (aquela com movimentos) e encontrou pouca bibliografia para estudar, também não se contentou: bateu na porta do Grupo Giramundo em busca de conhecimento. “Percebi que o Grupo usava uma dinâmica nos bonecos que poderia ser aproveitada por mim na escultura cinética. Enchi de coragem, fui até lá e o Álvaro Apocalypse [fundador do Giramundo] me deixou frequentar o local”, relembra.

Fabulosa Cia de Bonecos

De curiosa pesquisadora, ela passou a estagiária e, depois, a integrante do Giramundo. Depois de seis anos trabalhando na construção e manipulação dos bonecos do Grupo, Junia percebeu que era hora de alçar novos voos e fundou a própria trupe: a Fabulosa Cia de Bonecos, inaugurada em 2007.

Diferente da época do Giramundo, Junia agora tem a oportunidade de levar, pelo Brasil afora, espetáculos com o sobrenome da companhia própria.

Do portfólio da Fabulosa, como Junia carinhosamente costuma chamar o grupo, a peça “João e o Pé de Feijão” conquistou o prêmio de Melhor Espetáculo do Júri Popular, no 7º Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), em 2009. Já a cena rápida “Amor Eterno”, conquistou o 2º lugar no Festival de Cenas Curtas Galpão Cine Horto, em 2007.

Paralelamente às atividades da Fabulosa, Junia Melillo ainda continua produzindo bonecos, cenários e acessórios para outras companhias, além de realizar trabalhos pessoais. “A minha equipe e eu alternamos entre os trabalhos para a Fabulosa, produzindo muito em época de apresentações; as atividades de produção do meu ateliê para outros grupos; e meus trabalhos pessoais, como ilustração de livros”, exemplifica.

Dentre os trabalhos mais marcantes do portfólio particular de Junia, dois se destacam. O primeiro foram as bolsas em formato de bola de futebol americano, produzidas exclusivamente para os desfiles do estilista Alexandre Herchcovitch, em 2009. O segundo, do mesmo ano, foram os bonecos do balé Quebra Nozes, de Tchaikovsky,feitos para a comemoração dos 100 anos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e expostos em uma exposição no Shopping Rio Sul, na capital fluminense.  

Toda a avidez pela criação e o sucesso dos trabalhos da artista resume bem quem é Junia Melillo: artista plástica, diretora, pianista, cenógrafa, figurinista e campeã de sinuca – este último adjetivo é uma mera brincadeira que ela deixa registrada no perfil das redes sociais. “Campeã de sinuca é uma brincadeira. Só se for na hora de sair das sinucas artísticas que aparecem ao longo do trabalho [risos]. Posso me definir como uma pessoa movida pelo desafio. Acho que se eu só desenhasse, só esculpisse ou só fizesse bonecos, ficaria entediada. Gosto da diversidade e de apostar em projetos nos quais ninguém acredita, naqueles que as pessoas falam que é impossível. São esses que me dão um verdadeiro frisson”, conclui.

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