Dadá Maravilha: o peito de aço dos gramados brasileiros

Jogador de futebol, torcedor do Atlético Mineiro, apresentador e cidadão. Esse é Dadá Maravilha, o tricampeão mundial de futebol

Dadá Maravilha (Foto: Divulgação)
Dadá Maravilha (Foto: Divulgação)
Jogador de futebol, torcedor do Atlético Mineiro, apresentador e cidadão. Esse é Dadá Maravilha, o tricampeão mundial de futebol. Conhecido como o “beija-flor” dos campos de futebol ou o “peito de aço” dos gramados, era o centroavante mais desengonçado, que marcou 926 gols em 16 clubes brasileiros, inclusive no Atlético Mineiro. Alegria, irreverência e autoconfiança são características que chamam atenção por onde passa o senhor descontraído, que leva o sorriso no rosto e a “modéstia” ao seu lado: “Eu sou o rei Dadá”, afirma categoricamente Dario José dos Santos.

Conhecido como Dadá Maravilha, o tricampeão mundial nasceu no Rio de Janeiro, em 4 de março de 1946. Sua carreira de jogador foi de glórias, chegou a marcar 10 gols em uma única partida, conseguindo o recorde mundial. Foi três vezes artilheiro do campeonato brasileiro e jogou pela seleção brasileira na Copa de 1970, graças ao convite do general Médice. “Vou falar como cidadão, patriota. Foi gostoso demais escutar o Hino Nacional. Deus me deu a dádiva de participar da seleção de 1970, de ser tricampeão mundial e da seleção ser eleita pela imprensa mundial como a melhor de todos os tempos. Ela foi perfeita”, elogia.

Começou a jogar em Belo Horizonte, em 1968, no Atlético Mineiro e tornou-se um dos maiores artilheiros do time, com 211 gols marcados. Apesar de colecionar todos esses recordes, Dadá Maravilha tinha a fama de não jogar bem. Porém, sabia como ninguém fazer o mais importante do futebol: o gol. “Fui o único jogador a fazer 499 gols de cabeça em todo o mundo”, afirma.

História de vida

A vida do jogador não foi nada fácil. A família, sempre muito pobre, teve que encarar a realidade com muita luta. Com cinco anos de idade, Dadá viu sua mãe, doente mental, tirar a própria vida. Sem ter muito o que fazer, seu pai internou os filhos na antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor – Febem, separando toda a família. A partir daí, Dadá se tornou um garoto rebelde e começou a praticar assaltos. Até tentou aprender alguma profissão quando internado, mas sem sucesso. Depois de vários furtos e de ser preso várias vezes, tentou se matar cortando os pulsos, como a mãe, mas seu destino já estava traçado para ser um jogador de sucesso.

A trajetória de Dario começou a mudar com 19 anos, depois de um sonho que teve com sua mãe. “No sonho, minha mãe me disse: Dadá, sai dessa vida, porque você vai morrer”, conta. Após esse fato, o jovem ainda assaltou duas meninas e, com o dinheiro do assalto, comprou uma bola.  “Foi a primeira vez que eu tive contato com uma bola”, revela.

Desde então, o futebol entrou na vida do jogador que, apesar de desengonçado, tinha duas características marcantes: velocidade e impulsão. “Velocidade para correr da polícia e impulsão para subir em árvores e para roubar”, relata. Sua impulsão fez com que ele inventasse a jogada “queixo no peito, queixo no ombro”, marca registrada do centroavante. Seus gols também eram de nuca, joelhada e até de "velotrol", nome inventado pelo atleta, que não sabia fazer gol de bicicleta. A partir daí, sua vida mudou.

Em 1965, quando começou a jogar futebol, foi contratado pela equipe juniores do Campo Grande e em 67 foi para a equipe principal desse time. No ano seguinte, começou sua trajetória, passando por 16 times brasileiros. No Atlético Mineiro, Dario jogou em 1968, 1969, 1971, 1972, 1974, 1978 e 1979. Destaque para o jogo Atlético Mineiro X Seleção Brasileira, em um amistoso, no ano de 1969. O time mineiro ganhou de 2x1 contra Pelé, Jairzinho, entre outros. Até então, a seleção estava se preparando para a Copa do Mundo, em 1970.

Outro destaque foi a vitória do Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro, em 1971. Dadá marcou um gol de cabeça contra o Botafogo do Rio de Janeiro e parou no ar como um beija-flor. “Só Dadá, helicóptero e beija-flor param no ar”, diz Dadá.Mas seu auge foi mesmo no Internacional de Porto Alegre, em 1976, sendo uma peça importante no bicampeonato brasileiro, quando marcou o primeiro gol contra o Corinthians.

Além de jogador, um cidadão

"Não existe gol feio, feio é não fazer gol." Dadá Maravilha falou essa frase para se defender das críticas sobre ser um "mau jogador". "Essa frase me beneficiou muito. Vou ser sincero, eu sabia que eu era ridículo para jogar futebol. Tecnicamente eu era horrível e só pelos meus gols eu não ficaria famoso. Então, comecei a fazer frases que me ajudaram", conta.

Além de ajudar na fama do jogador, essas frases se tornaram marca registrada dele no mundo do esporte. Uma delas, a mais famosa, foi eleita a melhor frase pela Revista Veja: "Não venham com a problemática, que eu tenho a solucionática”.

Com esse espírito alegre e positivo, Dadá Maravilha conta sua experiência de vida, realizando palestras motivacionais. “Sou honrado por Deus ter me tirado da marginalidade e de ter sido um exemplo de vida. Essas palestras são para a criancinha e até para o vovô e mostram de onde eu saí e onde eu estou, beneficiado pelo meu histórico de ter sido campeão por onde eu passei. Fui um grande profissional e sou um grande homem. Larguei a bandidagem e hoje sou respeitado como cidadão”, afirma.

Dadá Maravilha (Foto: Divulgação)
Dadá Maravilha (Foto: Divulgação)
Pessoas que o criticaram por ter sido um mau jogador, atualmente,  reverenciam Dadá como um marco no futebol. “Praticamente todos que conviveram comigo e que me criticaram, hoje me elogiam”.

Quando questionado sobre Belo Horizonte, Dadá se lembra da música da dupla sertaneja César Menoti e Fabiano:  “é aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar, pois não há lugar melhor que BH. Meus pais já tinham morrido quando eu vim para BH. Eu era noivo da Gleice, que era carioca também. Voltamos para o Rio só para casar, mas hoje já estamos separados há 20 anos e eu continuo aqui em BH. Não saio mais daqui, amo essa cidade”.

 

Dadá apresentador

“Deixando a modéstia de lado, falando de futebol, eu falo o que eu sei, sou um expert, com doutorado nessa matéria. No futebol, eu sou o máximo, conheço tudo e sou atleticano”, declara o jogador.

Conhecido por ser torcedor fanático do Atlético Mineiro, Dadá apresenta um programa de esportes na capital mineira, no qual há uma tribuna e ele defende seu time do coração. “Defendo o Atlético, mas temos que ser imparciais. Se um jogador de outro time for melhor, eu afirmo que ele é o melhor. Respeito acima de tudo”, afirma.

Dadá também deixa claro que violência no futebol não tem nada a ver. “É importante ter rivalidade, mas com respeito. Violência não, mil vezes não”, finaliza.  

Com toda a sua glória, o único pedido que Dadá faz é para que nunca se esqueçam dele. “Não deixem o povo esquecer Dadá. O povo não pode esquecer esse bandido da infância e hoje um vovô respeitado, de categoria e ídolo da massa brasileira”.

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