O pop rock que faz sucesso por onde passa

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Os mineiros do Jota Quest levam o nome de BH para todo o país e agora para a América Latina

Foto Divulgação site www.jotaquest.com.br
Foto Divulgação site www.jotaquest.com.br
A década de 90 foi, para muitos, anos marcantes, especialmente no ramo musical. Surgimento de novas bandas de rock e pop rock, com shows por todo o Brasil, inclusive nas principais capitais, foi característico dessa época. Nessa onda musical, cinco mineiros começavam sua história em Belo Horizonte: Rogério Flausino, Marco Túlio Lara, PJ, Paulinho Fonseca e Márcio Buzelin. Eles formaram a banda “Jay Quest” ou “J. Quest” com um único desejo: tocar blackmusic. O nome era inspirado em uma personagem de uma série animada de TV: “Jonny Quest”.

Até chegar a atual formação, passaram pelo grupo 13 vocalistas, entre homens e mulheres. “O Rogério foi visto em um ensaio da banda Omeriah, que existia em BH na época, e foi convidado para ir a um dos ensaios do Jota Quest. Ele era um cara engraçado, que só ficava sorrindo e usava um gorro de lado. Além disso, descobrimos que ele ia a todos os shows do ainda Jay Quest. No dia do ensaio, ele já se tornou o nosso vocalista”, conta o baterista, Paulinho Fonseca, que começou a banda inicialmente com PJ, baixista. Depois os outros integrantes foram sendo convidados na sequência: Marco Túlio, na guitarra e Márcio, no teclado, além de Flausino

Depois de escolhido o vocalista, os ensaios começaram e a banda foi reformulada, recebendo influência do gosto musical de todos os integrantes. Música nacional, rock, blackmusic, MPB, todos esses estilos foram incorporados nas composições, mas o desejo era único: as músicas sempre seriam próprias. Paulinho conta que, no início, eles faziam muitos shows. “Estávamos vivendo em um cenário musical propício para as bandas. Fazíamos 100 shows em um ano, dentro de Belo Horizonte. Eu me lembro de um dia que fizemos um show à tarde, em um colégio, à noite, em uma faculdade e depois entramos em uma Kombi e fomos até Sete Lagoas fazer outro show.”.

A partir daí, gravadoras mostraram interesse pelo grupo, até que Fernando Furtado, empresário da banda mineira Skank, levou uma demo – gravação musical demonstrativa amadora – do grupo à Sony Music.  “Ele disse que não era necessário gravar um CD. Que deveríamos só levar a demo e ir até lá. Mas fomos cabeça dura e gravamos um disco com todo o dinheiro que havíamos ganhado na noite. Daí, nasceu nosso primeiro trabalho: o J.Quest.” Em 1996, o grupo assinou contrato com a Sony.  “Não sabíamos que mundo era esse”, declara o baterista.

Quando o sucesso começou e para não serem processados pela Hanna Barbera Productions, que tinha os direitos autorais do personagem Jonny Quest, o grupo mudou o nome da banda para “Jota Quest” no final dos anos 90: “Sempre explicamos que foi por causa da numerologia que trocamos o nome. Assim, economizamos com processos, advogados e por aí vai. Aproveitamos uma homenagem que Tim Maia fazia para a banda. Ele nunca nos chamou de Jay Quest e sim de Jota Quest. Era uma forma carinhosa dele conosco. Essa mudança trouxe boas vibrações, foi a partir daí que a banda deslanchou”, lembra Paulinho.

As músicas “Fácil”, “Sempre Assim” e o “Vento” estouraram com o trabalho “De Volta ao Planeta”. Depois os sucessos dos CDs “Oxigênio” e “Discotecagem Pop Variada” caíram na graça do público com as canções “Só hoje” e “Na Moral”. Em 2003, o desejo de fazer um DVD ao vivo em Belo Horizonte foi forte e os integrantes escolheram a Praça do Papa como pano de fundo. Depois da autorização e de ter plantado uma série de árvores no local, tiveram a parceria da Sony e da MTV no projeto. O show foi gravado durante dois dias, com um público estimado de 90.000 pessoas. O trabalho recebeu um presente de Nando Reis, a música “Ao seu lado”, que ganhou um arranjo todo especial dos integrantes. Em 2005, gravaram o “Até onde vai”, com as canções “Palavras de um Futuro Bom”, “O Sol” e uma regravação de sucesso, “Além do Horizonte”, de Erasmo e Roberto Carlos.

O último CD lançado foi o “La Plata”, que, de acordo com Paulinho, foge dos padrões musicais impostos pela mídia hoje. “Ousamos para fazer o disco, que não tocou muito nas rádios. As rádios hoje estão muito fechadas, diferente de antigamente, em que as músicas eram mais ecléticas. Não gostamos de padronizar. Depois do lançamento, fomos para a estrada e colocamos o disco na casa das pessoas.”

Mineiros de corpo e alma

Mesmo com a oportunidade de se mudar da capital mineira, é fácil encontrar o grupo aqui em Minas. “Talvez fosse até mais fácil ir para outras capitais para estar sempre na mídia, já que é lá que as grandes empresas de comunicação estão. Por outro lado, somos mineiros e o melhor lugar para se morar é Belo Horizonte”, declara o baterista. 

Segundo Paulinho, esse foi um dos motivos pelo qual o estúdio do Jota Quest, “Minério de Ferro”, foi construído em BH. Primeiramente na Pampulha e agora no Belvedere. “Montamos o estúdio aqui, porque é aqui que moramos. Nunca vou mudar de BH. Nossa capital está bem situada, falamos bem daqui aonde vamos. Em todas as nossas viagens, temos uma grande oportunidade de falar sobre a capital mineira. Ainda mais agora, com tantos projetos legais de cultura. A gente faz a propaganda com o jeito nosso de ser.”

Jota Quest no SWU

O SWU, Starts With You – Começa Com Você, nasceu da iniciativa de Eduardo Fischer, presidente do Grupo TotalCom. O principal objetivo é conscientizar e mobilizar as pessoas em prol da sustentabilidade. A intenção é mostrar para a população que todos podem fazer um mundo melhor com pequenas atitudes, todos os dias.  Com esse mesmo conceito, foi criado o SWU, Music and Arts Festival, que é uma celebração do movimento.

Em 2010, o evento aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de outubro, em São Paulo. Grandes bandas de todo o mundo participaram do evento e o Jota Quest estava lá. "O nosso show foi muito bacana, o público gostou muito. Além disso, assistimos a três dias de show para conferir todas as bandas", conta o baterista.

Um fórum foi feito no local para discutir com o público alguns dos principais temas da sustentabilidade no século 21. “O festival estava se mostrando altamente alternativo e ficamos surpresos com o convite, por sermos uma banda de pop rock. Mas acreditamos que se eles nos convidaram é porque gostam do nosso trabalho", explica Paulinho. Segundo o baterista, festivais assim valorizam a música. "O pop faz parte do alternativo, queremos ir todos os anos. Estamos cogitados também para o Rock in Rio 2011, mas ainda não sabemos o dia”, revela.

Carreira Internacional

O Jota Quest está conquistando seu lugar na América Latina. Com um contrato com a Sony da Argentina, a banda está lançando suas músicas naquele país, começando a trajetória com “Encontrar Alguém” na versão espanhol. Segundo Paulinho, a carreira internacional é um novo começo para a banda. “Estamos começando tudo de novo, visitando as rádios, tocando ao vivo para que o público de lá nos conheça. Acho que ainda temos uma grande estrada pela frente.”  

Próximos projetos

Em 2011, o Jota Quest completará 15 anos de carreira e, para comemorar, a banda está preparando algumas novidades para os próximos dois anos. Paulinho revela que, além de um DVD, a banda também vai lançar um CD com músicas inéditas. “Nos 15 anos do Jota, em 2011, vamos preparar uma turnê que terá 15 shows em 15 capitais, com um público de, no máximo, 4.000 pessoas em cada show. No final da turnê, faremos um DVD em todas essas cidades que passamos, mostrando o que tem de legal em cada uma. Além disso, vamos fazer um CD com uma coletânea, que se chamará “Radio Hits”, contendo o que mais tocou nas rádios, o que a gente mais gosta, com três ou quatro músicas inéditas. Já estamos começando a compor agora. E, em 2012, faremos um CD só com músicas inéditas.”

Foto divulgação site www.jotaquest.com.br
Foto divulgação site www.jotaquest.com.br

É o Jota Quest na estrada, mostrando o que os mineiros têm de melhor!

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