Belo Horizonte: a perfeita junção do espaço urbano e da cidade jardim em Minas Gerais
“Que Belo Horizonte!”. Foi assim que, do alto da Praça do Papa, o Papa João Paulo II definiu a vista da capital mineira. Capital encomendada em 1893, Belo Horizonte se tornou a metrópole com o melhor índice de qualidade de vida da América Latina pela ONU. É considerada o 62º maior aglomerado urbano do mundo e o sétimo da América Latina, atrás da Cidade do México, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Bogotá e Lima, Belo Horizonte saiu do papel para ser a capital política e administrativa de Minas Gerais, nunca deixando de lado a forma acolhedora de receber bem moradores e turistas.
O começo de tudo
Na época da Inconfidência era esperada para o Estado uma nova e moderna capital, que até então era Vila Rica, atual Ouro Preto. Em 17 de dezembro de 1893, o governador Augusto de Lima determinou ao Congresso Mineiro que a mudança da capital deveria acontecer para um local que reunisse melhores condições de localização e infraestrutura. Foram sugeridas então cinco localidades: Juiz de Fora, Barbacena, Paraúna, Várzea do Marçal e Arraial do Curral D´El Rey (atual Belo Horizonte). O Congresso Mineiro se pronunciou e decidiu que a capital fosse construída nas terras do arraial de Belo Horizonte.
Em 1893, o arraial foi elevado à categoria de município e capital de Minas Gerais, sob a denominação de Cidade de Minas. Em 1894, foi desmembrado do município de Sabará. No mesmo ano, os trabalhos de construção foram iniciados pela Comissão Construtora da Nova Capital, chefiada por Aarão Reis, com o prazo de 5 anos para o término das obras.
Projeto de Aarão Reis
Entre os anos de 1894 a 1897, Belo Horizonte foi projetada pelo engenheiro Aarão Reis e foi a primeira cidade brasileira moderna planejada. Foram feitas avenidas em diagonal e quarteirões de dimensões regulares. Entre a paisagem urbana e a natural foi prevista uma área de transição que articulava os dois setores.
Belo Horizonte surgia como uma tentativa de síntese urbana no final do século XIX. O objetivo de se criar uma das maiores cidades brasileiras do século XX foi atingido. O projeto da cidade foi inspirado no modelo das mais modernas cidades do mundo, como Paris e Washington. A cidade foi dividida em três áreas: central urbana, suburbana e rural.
A área central urbana recebeu uma estrutura de transportes, educação, saneamento e assistência médica, bem como edifícios públicos dos funcionários estaduais e estabelecimentos comerciais. A Avenida 17 de Dezembro, atual Avenida do Contorno, era o limite dessa área. A região suburbana, formada por ruas não regulares, não recebeu, a princípio, infraestrutura urbana. A área rural era composta por cinco colônias agrícolas com várias chácaras abastacendo a cidade com produtos hortigranjeiros.
Em maio de 1895, o engenheiro Francisco de Paula Bicalho assumiu as obras. Em 12 de dezembro de 1897, o presidente de Minas, Crispim Jacques Bias Fortes, inaugurou a nova capital, que já possuía 10 mil habitantes.
A Praça da Liberdade, o Palácio do Governo e as Secretarias de Estado foram os primeiros locais a serem construídos. Além deles, o Parque Municipal, a Praça da Estação, a Avenida Santos Dumont, a Rua da Bahia e a Avenida Afonso Pena foram projetados para dar mais conforto e mobilidade para os moradores da época. Essas construções são reconhecidas até hoje e entraram para a história da cidade.
A década de 40 foi uma época de mudanças. O avanço da industrialização trouxe muitas inovações para a cidade. O Complexo Arquitetônico da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer, por encomenda do então governador Juscelino Kubitschek, foi inaugurado nessa época. Além disso, projetos de Portinari, Alfredo Ceschiatti e os famosos jardins de Roberto Burle Marx também foram obras importantes da época. Com um milhão de habitantes nos anos 60, uma nova capital com arranha-céus e asfalto estava no lugar do verde das paisagens naturais. Assim se formou a nova Belo Horizonte, uma nova metrópole.
A história recente
A história recente da capital mineira é um encontro de mudanças e valorização. Nos anos 90, espaços públicos como a Praça da Liberdade, a Praça da Assembleia e o Parque Municipal foram recuperados para o melhor aproveitamento da população.
Belo Horizonte se destaca, em pleno século XXI, na economia, com o incentivo para o comércio, prestação de serviços, assim com para o setor da informática. Além disso, a capital passou a ser um espaço disputado para o turismo de eventos, realizando congressos, convenções, feiras e exposições. Alguns setores também começam a crescer, como hotéis, bares e restaurantes.
Não podemos esquecer de que, a partir de 2000, a capital já passa a ter sucesso com a realização de eventos culturais, reconhecidos nacional e internacionalmente. Isso faz com que Belo Horizonte divulgue a cultura e seja, a cada dia, uma das capitais mais respeitadas de todo Brasil.












