Um palácio na Praça da Liberdade

Não é à toa que os visitantes saem do local com uma sensação unânime: encantamento. “Eu não esperava ver uma coisa de tamanha magnitude e beleza. Não tem como destacar o que eu mais gostei. Adorei tudo”, conta admirada, a economistaDilvânia Ferreira, após sair de uma visita guiada ao Palácio. “As pessoas precisam conhecer mesmo. É a história de Minas nesse lugar”, recomenda o militar Renato Sena.
As visitas guiadas são oferecidas nas manhãs de domingo. E de graça. Dilvânia e Renato estiveram no local em um dia ainda mais especial: o último domingo do mês. Nessa data, é possível assistir à Troca Solene da Guarda: a equipe que fez a vigilância do Palácio nas últimas 24 horas repassa o posto para novos policiais. A troca é feita sob um rígido protocolo. A belíssima cerimônia conta com apresentação da Banda de Música da Polícia Militar, hasteamento de bandeiras e desfile dos pelotões. A solenidade foi inspirada na troca de guardas de outro palácio: o de Buckingham, em Londres.
Ambientes
Explorar o interior do Palácio é ter a certeza de vivenciar uma experiência única. Não só pelo conjunto arquitetônico em si, mas pela riqueza espantosa dos detalhes.
Já na entrada do prédio, uma imponente escadaria acolhe os visitantes. A estrutura foi feita nas oficinas Aciéries de Bruges, na Bélgica, e foi montada em Belo Horizonte. Subindo os degraus, a primeira parada é o Salão Nobre, o mais eclético do prédio. Misturando diversos estilos, como barroco e neoclássico, o cômodo era utilizado pelo Governador para receber visitas formais. Para acomodar anfitrião e convidados, as poltronas foram trazidas da Letônia. Os painéis com imagens de mulheres nas paredes e no teto homenageiam a República – tratada no gênero feminino depois da Revolução Francesa.
À frente do Salão, está o Parlatório, outro símbolo republicano. Ali, os Governadores têm ainda hoje a oportunidade de discursar para o povo – fato característico da democracia, pois, na Monarquia, os súditos é que precisam se dirigir à presença do rei.
No Salão do Banquete, a mesa com 36 lugares acomoda até 56 convidados, dependendo do tipo de serviço da cerimônia. Totalmente espelhado, o Salão possui um lustre de cristal com 40 tulipas que impressiona qualquer visitante. É o único cômodo cujas pinturas na parede não possuem conotação política. As imagens homenageiam os prazeres da vida: evocam a Saudação, a Fortuna, o Lazer e o Trabalho.
Um detalhe: no Palácio, não há papéis de parede. Todos os ricos detalhes que ornamentam os ambientes foram pintados diretamente na estrutura.
Centro do poder
Até 2010, o gabinete do Governador de Minas Gerais funcionou no Palácio da Liberdade. A maior autoridade política do Estado deixou de despachar no prédio com a inauguração da Cidade Administrativa. Além do gabinete, o complexo com 16 mil funcionários abriga agora as secretarias e vários outros órgãos estaduais.
Mesmo com a mudança, computadores, impressoras e outros aparelhos modernos ainda estão no Palácio da Liberdade, contrastando com os objetos históricos do prédio. O aparato tecnológico precisa estar disponível para receber o Governador, que ainda vai ao local esporadicamente. “Ele vem para um despacho especial, algum evento de entrega de medalha, um banquete ou para receber uma visita mais importante”, explica a integrante da equipe de Curadoria do Palácio da Liberdade, Lucília Peres.
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Quando e como conhecer o PalácioAs visitas ao Palácio da Liberdade são guiadas por técnicos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA – MG) que explicam os ricos detalhes e a história de cada um dos 30 cômodos do prédio.
As visitas são gratuitas e duram cerca de 30 minutos. Para conhecer o Palácio, basta estar no prédio aos domingos, às 9 horas. Nos dias de troca de guarda, é necessário chegar um pouco mais cedo para assistir à cerimônia: às 8h30.
No interior do imóvel, é proibido tirar fotos ou filmar. Também não é permitido ir ao local com saltos do tipo agulha, para não prejudicar o piso histórico. Grupos escolares ou caravanas que também queiram conhecer o Palácio podem entrar em contato pelo email adminitracaodepalacios@governo.mg.gov.br ou pelo telefone (31) 3217-9543.
Curiosidades do Palácio da Liberdade

- No Parlatório, foram retiradas 13 camadas de tinta antes de se chegar à pintura original, um trabalho delicado feito pacientemente pela equipe de restauração, com o uso de bisturis, para não prejudicar os traços seculares.
- O hall do elevador ficou coberto por paredes durante sete décadas até a restauração que durou de 2003 a 2006.
- Reza a lenda que uma senhora habitava o terreno onde foi construído o Palácio. Com o casebre desapropriado para o início das obras, ela teria rogado uma praga para que os futuros habitantes do local, os Governadores, morressem. O fato ficou conhecido com a “lenda da papuda”.
- Inicialmente, o Palácio foi erguido para ser local de trabalho e lar dos Governadores. De fato, foi assim no começo. Após um tempo, a residência oficial dos chefes do Executivo passou a ser o Palácio das Mangabeiras e o da Liberdade se tornou apenas o gabinete.
- O Palácio da Liberdade foi construído numa área considerada alta da Belo Horizonte do século 19. Da parte mais elevada dos Jardins, o chefe do Executivo conseguia avistar boa parte da avenida do Contorno e ter uma ideia do movimento da capital. (Foto: por baixo das 13 camadas de tintas, um painel se revela à equipe de restauradores - crédito: Oficina de Restauro)
A história do prédio

O Palácio da Liberdade foi projetado pelo pernambucano José de Magalhães, membro da Comissão Construtora da Nova Capital. A inauguração ocorreu em 1897, depois de dois anos de obras. No entanto, alguns detalhes só foram concluídos em 1903.
A primeira grande reforma ocorreu em 1920, para receber a visita dos reis da Bélgica. Já a última foi realizada entre os anos de 2003 e 2006, período no qual o prédio ficou fechado para visitação.
O estilo do Palácio da Liberdade é eclético. Mas, independente da variedade de escolas de arte, a influência francesa é predominante tanto na arquitetura quanto na decoração.
O arquiteto Oscar Niemeyer apresentou, na década de 60, um projeto para derrubar o Palácio da Liberdade e construir um novo prédio no local. O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte tombou integralmente o Palácio da Liberdade no Conjunto Urbano da Praça da Liberdade e Adjacências, em 10 de novembro de 1994. (Foto: Palácio da Liberdade em obras - crédito: Arquivo Público Mineiro)
O Palácio já era aberto a visitações no período em que o Governador de Minas Gerais e equipe trabalhavam lá. Mas eram realizadas em um número bem reduzido. Com a transferência da sede do Governo, ficou mais fácil abrir as portas do imponente imóvel para a população. “Antes, era muita gente trabalhando aqui dentro e as visitas dificultavam o rendimento. Hoje, até durante a semana, abrimos o Palácio para as escolas. Já aos domingos, recebemos uma média de 300 pessoas e há dias em que recebemos 700”, conta Lucília.
Antes da mudança da sede administrativa, 37 políticos trabalharam no Palácio. Durante o seu mandato, Juscelino Kubitschek mandou trazer uma cadeira de dentista, também usada na hora de fazer a barba. O objetivo era aproveitar as breves pausas da atribulada rotina para cuidar da vida pessoal. O móvel está lá até hoje.
“Eu duvidava que o Governador realmente trabalhava aqui. Eu acreditava que era apenas uma imagem do centro do Governo. Gostei da maneira como foi explanado o antigo funcionamento do Palácio”, afirma o militar Ricardo Wolff. Na saída de uma visita guiada, ele conta o que achou do prédio. “O que mais me chamou a atenção foram as obras de arte e a arquitetura. Recomendo o passeio, sem dúvida. Tenho certeza de que todos vão gostar”.
Praça da Liberdade
O Palácio está inserido no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. O projeto foi implantado pela Secretaria de Estado da Cultura e inclui também o Espaço TIM UFMG do Conhecimento,... Clique aqui para ler mais sobre.
Praça da Liberdade
O Palácio está inserido no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. O projeto foi implantado pela Secretaria de Estado da Cultura e inclui também o Espaço TIM UFMG do Conhecimento, Museu das Minas e do Metal EBX, Memorial de Minas Gerais Vale, Centro de Arte Popular Cemig, Centro Cultural Banco do Brasil, o café (localizado entre o Museu Mineiro e o Arquivo Público Mineiro), Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, Museu Mineiro, Arquivo Público Mineiro e Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves (conhecido como Rainha da Sucata).
(Foto: A Praça da Liberdade e o entorno cultural)
Telefone: 31 3217-9521
Horário de Funcionamento: Dom. das 9h às 13h.










